A propósito dos açúcares

obesidade9A semana passada deu na SIC uma reportagem sobre nutrição que mexeu com os Portugueses. Assustou uns, alertou muitos e fez ver que nas nossas casas e na nossa alimentação, principalmente a dos nossos filhos, há muito a melhorar.

Querer dar o melhor aos nossos filhos não passa por lhes dizer sempre que sim, dar o chocolate sempre que pedem, trocar o pão do lanche por bolos porque outros amigos o fazem… dar o melhor aos nossos filhos é preocuparmo-nos com a sua alimentação e dar sim as opções mais saudáveis.

A reportagem focou-se muito no consumo de açúcares nas crianças, mostrou as consequências desse excesso e após a reportagem já se vê nos corredores dos supermercados mães a lerem rótulos, lançaram-se desafios nas redes sociais de 20/30dias sem açúcares, etc… Resultado surtiu efeito!

Não gosto de apontar de erros, prefiro sempre alertar para mudanças de hábitos alimentares pela positiva, mas hoje não vou por ai, deixo-vos alguns erros que têm de ser mudados:

“Agora já pode comer a comida da família”

Esta frase ouvem todos os pais quando vão à consulta de 1 ano de idade. E lembro-me perfeitamente da perplexidade do meu marido que me perguntou “então agora ele vai comer uma perna de cabrito assada no forno?” … essa passagem de alimentos em puré para a comida da família é gradualmente feita pelas próprias crianças. Elas vão se habituando aos paladares da família progressivamente assim como as novas texturas. No entanto, o que está errado é aquilo que se oferece à criança, se ontem havia uma série de regras (a alimentação do bebé no 1º ano de vida chega a ser matemática e milimétrica!) e se ainda ontem o bebé não comia sal, douradinhos, cereais de chocolate, bolachas recheada nem bebia sumos de pacote, então porque é que depois de uma simples frase tudo muda?

“Temos essas coisas em casa por causa do irmão mais velho”

Está o irmão mais velho livre de desenvolver obesidade, diabetes, hipertensão? Na minha opinião há certas coisas que nunca devem entrar numa casa, como por exemplo: batatas fritas de pacote e outros fritos do género, sumos de pacote (incluindo o tão “aparentemente” inofensivo super-açucarado-ice-tea), cereais de chocolate, bolachas recheadas, mini-pães recheados com chocolate… etc etc. Se os eliminarem da lista de supermercado e substituírem os snacks por fruta, iogurtes, queijinhos, pão… verão como as contas mensais daí de casa vão descer drasticamente assim como os ponteiros da balança.

Eles são pequenos e não podem escolher sozinhos, cabe-nos a nós sermos responsáveis pela sua saúde até termos autoridade para tal. 🙂

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Socorro: O meu filho não come!

alimentação 5Confesso que estava mal habituada, cá por casa o rapaz estava sempre de boca aberta pronto para comer. Era tudo bem-vindo! Mas parece que as coisas estão a mudar de figura, e eu vou ganhando cabelos brancos. Mesmo que saiba a teoria é me difícil olhar apenas com olhos clínicos, a “Mãe” está lá e os nervos ficam à flor da pele na altura das refeições. Calma Rita, respira fundo!
O cenário agora é este: Depois de duas colheres começa o festim! E por festim quero dizer, ele cospe ou melhor seleciona o que cospe, agarra na comida e espreme-a, atira comida para o chão, põe as mãos a frente da boca… e no meio disto tudo eu canto, danço, depois fico impaciente e zangada (tudo o que ele queria, ganhou!).
Se o filme se repete por ai por casa, saiba que não é caso único e mais está estudado. Chama-se a “anorexia do segundo ano de vida”. E o que é isto da anorexia do segundo ano de via? Ao passar a barreira do 1º aniversário as crianças vão diminuindo a velocidade de crescimento e com isso o apetite também. Por outro lado, estão a ganhar autonomia, só querem é saber de aprender a andar e de se tornarem independentes (estes pequeninos seres que ainda ontem nasceram!!). Isso é o que lhes dá prazer neste momento, já não é a comida. Em terceiro lugar, ainda há o gosto de contrariar os pais. Esse gostinho que nos dá cabo dos nervos!!
Os bebés ate ao 1º aniversário são uns rechonchudos, vão acumulando gordura que agora vai servir de combustível para esta fase crítica. Convém no entanto não deixar os créditos todos depositados nessas reservas, eles continuam a necessitar de vitaminas, ferro e principalmente de hidratos de carbono. Se vê que o seu filho não come mesmo nada e está a perder peso, então fale com o pediatra sobre a possibilidade de o suplementar.

O que podemos fazer para minimizar o caos que está instalado?

– Torne aquilo que eles comem mais rico. Por exemplo se o seu filho come sopa faça-a nutritiva junte-lhe leguminosas (feijão, grão ou lentilhas);
– Os pediatras cairão em cima de mim provavelmente, mas se o seu filho bebe bem leite coloque uma colherinha de papa; No entanto, dê o leite na hora a que habitualmente lhe dá leite (Ex. de manhã ou ao deitar), não o deixe andar de “biberão na mão” todo o dia;
– Evite enche-lo de calorias vazias ao longo do dia: sumos e guloseimas não alimentam e vão estar a ajudar a tirar o apetite;
– Fraccione as refeições em vez de comer 4 refeições (pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar) dê-lhe menos comida mais vezes ao dia;
– Não o “compre” com comida de que gosta;
– E por último, se não comer não faça guerra (Rita, respira fundo!) não insista por muito que isso lhe custe.

O que é o Baby Led Weaning?

BLW Baby Led Weaning, já ouviu falar? esta imagem diz tudo!! Este é um método de “desmame” do bebé muito utilizado nos EUA, e que tem vindo a ser transportado aos poucos para a Europa com alguma controvérsia, dúvidas, etc.

O baby led weaning é uma forma de ensinar o seu filho a comer alimentos sólidos dando-lhe total autonomia desde o 1º dia que inicia a diversificação alimentar, ou a partir dos 6 meses (nos bebés amamentados em exclusivo até essa idade). Neste método não se recorre a purés, papas, processadores de cozinha, etc, nada é esmagado e dado em colheradas ritmadas à criança. Os alimentos são lhes fornecidos em tamanho pequeno de forma a que consiga agarrar com a sua mão e comer sem se engasgar, colocada no tabuleiro da cadeirinha da papa e de preferência sem roupa ou com um bom babete de plástico. Se o bebé gostar ele comerá, se não gostar não come. Esta forma de ensinar o bebé a comer garante que a ordem de aprender a comer é a mais correcta: primeiro o bebé irá aprender a mastigar e em segundo lugar a engolir, o que está invertido na forma tradicional de alimentar um bebé.

Bom, além de todos os dias ficar com a sua sala como se fosse um campo de batalha os riscos que os pediatras alertam para este método é o de engasgar. Se os pais estão seguros que sabem fazer as manobras de Heimlich isso poderá dar-lhes mais confiança a fazer esta prática mas se não o sabem então realmente pode ser um risco.

Eu não sou a favor nem contra, acredito que para a maioria dos pais cujo dia deveria ter 26 horas não seja possível perder muito tempo com esta prática alimentar, e basicamente o que querem é garantir que o seu bebé comeu tudo o que necessita para crescer. Hoje em dia, que o meu filho já é mais crescido faço aqui um “meio-termo”, dou-lhe sopa (sim somos Portugueses comemos sopa!!), dou-lhe o prato principal também coordenado por mim e a fruta então fica ao cargo dele e faz a porcaria toda que gosta!! Mas confesso que com 6 meses não me sentia confortável em dar comida sólida (além da bolachinha Maria que se derrete na boca) e que todas as crianças adoram.

E por ai como fazem com os vossos pequenos?

Obesidade infantil: como prevenir no 1º ano de vida?

images1BAI0FTFA obesidade infantil é um problema global e com um aumento verdadeiramente assustador nos últimos anos. A preocupação centra-se na prevenção e tentar perceber-se o que se pode fazer logo desde o início da vida para prevenir a obesidade infantil.

Não há dúvidas para nenhum dos investigadores, pediatras e qualquer técnico de saúde que a amamentação com leite materno é a melhor forma de prevenir desde o primeiro dia de vida a obesidade. Mas como nem sempre isso é possível, e as fórmulas para lactentes são muitas vezes a única forma de alimentar o bebé. O objectivo das marcas é o de se aproximarem o melhor possível do leite materno.

Um estudo(1) realizado em 2005 comparou 3 grupos de crianças, um que consumia fórmula com alto teor de proteínas, um que consumia fórmula com baixo teor de proteína e por ultimo os bebés alimentados com leite materno. O resultado foi que os dois últimos grupos mostraram um desenvolvimento semelhante e com isso um menor risco de desenvolver obesidade comparativamente ao grupo com elevado consumo de proteínas.

Deste modo, desenvolveu-se uma corrente a “early protein hypothesis” que recomenda um consumo moderado/baixo de proteínas (animais e vegetais) no 1º ano de vida da criança de modo a prevenir a obesidade a longo prazo. E com isso as recomendações/porções diárias de proteína (fontes: leite, queijo, iogurtes, carne, peixe, leguminosas) numa criança que já iniciou a diversificação alimentar são menores do que muitas vezes aos olhos dos “pais e avós” possa parecer razoável para crescer bem, não dê mais do que 10 a 15gr de carne/peixe nesta fase da vida e valorize sim os vegetais e os hidratos de carbono (pão, arroz, massa, batata, etc.).

  1. Koletzko et al, Protein intake in the firts year of life: a risk factor for later obesity? The EU childhood obesity project; Adv Exp Med Biol; 2005; 569:69-79

Quando o bebé já come ovos!

ovosPor volta dos 9 a 10 meses começa a introdução de um alimento super nutritivo mas que em tempos era visto com maus olhos: Os ovos. Quem é que já não ouviu que os ovos são de evitar e não abusar porque fazem subir os níveis de colesterol? Pois bem, mas esse medo exagerado em torno dos ovos tem sido atenuado ultimamente pois sabe-se que não é assim tão evidente a causa-efeito entre comer ovos e o aumento do colesterol. Mas nos bebés a história é outra, eles são fundamentais para o crescimento mas devem ser encarados como 2 alimentos distintos – a gema e a clara – e introduzidos progressivamente.

Na gema encontra-se um elevado teor de ferro e cálcio, bem como de vitaminas lipossolúveis (vitamina A, D e E), elementos fundamentais para o crescimento da massa óssea. A clara é essencialmente composta por proteínas e por essa razão a clara é um alimento com maior probabilidade de desenvolver alergias nos bebés, daí aconselhar-se introduzir mais tarde por volta de 1 ano de idade.

A introdução da gema é simples, basta substituir uma sopa “de carne” por uma de ovo com ½ gema por sopa e não ultrapassando de 1 gema por semana.

Cá em casa a reacção aos ovos foi de estranheza, presumo que pela textura, e por isso resultou melhor bater a gema juntamente com a sopa do que “esmaga-la” com um garfo e envolver. Truques para disfarçar!! J